Com o apoio da Funcap, pesquisadores da Uece realizam trabalho inédito no mundo
24 de agosto de 2020 - 13:13
Pesquisadores da Uece fazem primeira gestação em caprino do mundo com a tecnologia do ovário artificial
Cientistas do Laboratório de Manipulação de Oócitos e Folículos Ovarianos Pré-antrais (Lamofopa), da Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Uece) conseguiram realizar a primeira gestação do mundo, em caprinos, através da tecnologia do ovário artificial, técnica que visa à preservação da sobrevivência e ao crescimento in vitro de óvulos fora do organismo materno.
O feito inédito rendeu a publicação do artigo “First pregnancy after in vitro culture of early antral follicles in goats: Positive effects of anethole on follicle development and steroidogenesis”, na revista científica internacional “Molecular Reproduction and Development”. O trabalho faz parte da tese de doutorado da pesquisadora Naíza Sá, integrante do Lamofopa, e é um dos resultados da pesquisa coordenada pelo professor Ricardo Figueiredo, da Faculdade de Veterinária da Uece, que conta com o apoio da Funcap através do edital Pronex.
De acordo com o cientista, apesar da gestação caprina não ter chegado a termo, ou seja, gerado um novo animal, a pesquisa representou melhorias significativas na maturação e na produção in vitro de embriões a partir de óvulos crescidos também in vitro. Ele explica que esse avanço é importante porque a tecnologia do ovário artificial tem potencial para contribuir não só para a Medicina Veterinária, mas também para a Medicina.
“No ovário natural, somente um em cada mil óvulos que são fecundados chega à maturação. O ovário artificial tem o propósito de melhorar a eficiência desse processo”, explica Ricardo. Ele afirma que, dentre as aplicações desses estudos estão a contribuição para a pesquisa básica, para compreender os fatores que controlam o desenvolvimento dos óvulos, a melhoria do trabalho de reprodução de animais domésticos em vias de extinção e a preservação da fertilidade em pacientes com doenças como o câncer.
O pesquisador destaca que o trabalho realizado no Lamofopa representou melhorias significativas na maturação e na produção in vitro de embriões a partir de óvulos crescidos também in vitro. Segundo ele, é um estudo muito complexo, porque os os óvulos crescidos in vitro são muito mais sensíveis que aqueles crescidos in vivo, ou seja, no próprio ovário.
Além do apoio da Funcap, a pesquisa contou com a parceria do Lamofopa com outros laboratórios, incluindo da própria Uece. O desafio, agora, é seguir com o trabalho. As próximas etapas são a realização de testes com novos agentes antioxidantes, hormônios e fatores de crescimento para melhorar a composição do meio de cultivo dos folículos (estruturas geradas no ovário que podem se desenvolver para dar origem aos óvulos).
A pesquisa foi financiada com recursos do edital Pronex, que a Funcap mantém em parceria com o CNPq, e contou com a parceria com outros laboratórios, incluindo alguns da própria Uece. Ricardo Figueiredo ressalta a importância dos recursos vindos não só da Funcap e do CNPq, mas também da Capes e da Finep.
Segundo ele, graças a esse suporte e aos esforços dos pesquisadores e parceiros, o Lamofopa se tornou o maior laboratório da América Latina na área de pesquisas relacionadas ao ovário artificial caprino e já realizou o treinamento de mais de uma centena de estudantes e pesquisadores (nacionais e internacionais).
Além de publicações em periódicos internacionais, o reconhecimento do Lamofopa é atestado pelo fato do laboratório integrar o consórcio internacional Oncofertility. Com sede em Chicago, nos Estados Unidos, ele é um dos maiores do mundo na área de tratamento de infertilidade em humanos e tem o modelo do ovário artificial caprino como uma referência.
Vale ressaltar, por fim, que o professor Ricardo Figueiredo foi selecionado para atuar como pesquisador convidado do Smithsonian Conservation Biology Institute (SCBI), entidade dedicara à conservação de vida selvagem com sede em Washington, também nos Estados Unidos.