Pesquisadores estudam propriedades cicatrizantes de vegetais da flora brasileira
5 de junho de 2017 - 11:20
Já a flor-de-pavão, de acordo com ela, é uma planta que produz sementes apenas seis meses após o plantio, o que a torna uma fonte promissora para viabilizar a produção do gel. Os compostos extraídos das sementes são a lectina, uma proteína ligante quimicamente a carboidratos, e a galactomanana, hemicelulose abundante nas paredes celulares de plantas. Hemiceluloses, vale ressaltar, são polissacarídeos (carboidratos) que desempenham um papel estrutural. A lectina isolada no estudo possui propriedades anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica e imunoestimulante, entre outras. Por meio da interação entre as duas moléculas, a cicatrização pode ser potencializada.
Como parte do trabalho, um dos membros da equipe, o aluno de doutorado Felipe Domingos realizou, em pesquisas no University College London (UCL), na Inglaterra, testes em fibroblastos (células responsáveis pela regeneração dos tecidos que compõem o corpo humano). Os resultados obtidos demonstraram que a lectina favorece o processo de cicatrização.
Segundo Cristina Moreira, a equipe tem como meta finalizar o plano de negócios para viabilizar a produção e a comercialização do medicamento no segundo semestre deste ano. Ela explica que ainda não é possível estimar o preço ou a diferença de custo do futuro medicamento em relação às alternativas já disponíveis atualmente, mas o propósito é que ele seja vantajoso neste quesito. “As formulações foram desenvolvidas visando uma melhor relação custo/benefício e o fácil acesso à população, quando comparadas aos produtos já comercializados”, afirma ela.