Especial Mulher & Ciência: Entrevista com a pesquisadora Renata Chastinet Braga
9 de março de 2016 - 13:47
Graduada em Química Industrial pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com mestrado e doutorado também pela UFC, a pesquisadora Renata Chastinet Braga é a primeira entrevistada de hoje (9) do Especial Mulher & Ciência. Atualmente, Renata é professora do campus do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) em Limoeiro do Norte (CE).
Durante o mestrado e o doutorado em Bioquímica, a pesquisadora foi bolsista da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). A pesquisa “Utilização de Polissacarídeos Naturais como Materiais Adsorventes de Íons Metálicos em Água”, coordenada pela professora, contou com apoio da Funcap e do CNPq por meio do Edital 04/2009 – Programa Primeiros Projetos (PPP).
Confira a entrevista.
1 – Professora, o que a levou para sua área de pesquisa? Quais foram as influências? Existe alguma referência feminina atual?
Minha área de pesquisa tem influência de onde fiz a iniciação científica, que foi o Departamento de Bioquímica da UFC. Minha pesquisa foi iniciada seguindo a área de meu orientador, professor doutor Renato de Azevedo Moreira. (Sobre as referências) Sim. Científica, na área de polímeros, existem fortes nomes como a professora Maria Rita Sierakowski, do Paraná, e todo o grupo do Laboratório de Polímeros da UFC das professoras Regina Paula, Judith Rodrigues, Pablyana Cunha, Jeanny Maciel, entre outros. Influência não científica sempre temos na família. Minha mãe e avós sempre foram exemplos de caráter e força.
2 – Quais pesquisas a senhora está desenvolvendo agora?
Como sou química, tenho pesquisa em áreas diferentes. Temos um trabalho de mestrado sobre uso de polímeros no recobrimento de mamão para estudar a pós-colheita. Temos três trabalhos na produção de alimentos funcionais, um de mestrado utilizando polissacarídeos como substituto de gordura da mousse de limão, uma pizza sem glúten e um biscoito rico em fibras. Temos um trabalho na área de saneamento utilizando adsorção de metais pesados e corantes e na área ambiental temos um projeto simulando o efeito estufa para observar a mudança na fisiologia vegetal.
3 – Como se deu a construção da sua carreira científica em um meio (academia) que não está imune ao machismo da sociedade?
Felizmente, durante toda a graduação, mestrado, doutorado e docência nunca me senti prejudicada por ser mulher.
4 – A senhora vivenciou um presenciou algum caso de machismo durante sua carreira?
Comigo, acho que apenas um. Feito por uma colega de trabalho ao criticar o fato de querer fazer pesquisa enquanto estava de licença maternidade.
5 – Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para as meninas e jovens que possuem interesse ou já iniciaram uma carreira no mundo da Ciência?
Bem, eu sou suspeita de falar porque sou apaixonada pela pesquisa, mas se ciência também é sua paixão, siga, pesquise, cresça e aproveite as boas oportunidades que a vida traz.