Especial Mulher & Ciência: Entrevista com a pesquisadora Albanise Barbosa Marinho
8 de março de 2016 - 17:38
Graduada e mestre em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com doutorado em Produção Vegetal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), a pesquisadora Albanise Barbosa Marinho é Professora Adjunto III da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e também a entrevistada de hoje (8) do Especial Mulher & Ciência. Atualmente, ela exerce a função de pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação na Unilab, além de ser professora colaboradora do curso de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Além de bolsista do Programa de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), a pesquisadora foi também bolsista do Programa de Produtividade em Pesquisa, Estímulo à interiorização e à Inovação Tecnológica (BPI) da Funcap, de 2012 a 2014. A professora teve a pesquisa “Cultivo orgânico do pimentão sob água tratada e não tratada por energização e doses de biofertilizante” apoiada pela Funcap e pelo CNPq por meio do Edital 07/2010 – Programa Primeiros Projetos (PPP).
Confira a entrevista.
1 – Professora, o que a levou para sua área de pesquisa? Quais foram as influências? Existe alguma referência feminina atual?
A afinidade com a área de ciências exatas e com as questões agrárias. As influências vieram por parte da minha mãe, avós e tias que sempre foram mulheres guerreiras, cada uma em suas profissões, mas que sempre foram fortes, independentes e que sempre me ensinaram a ter disciplina, senso de responsabilidade e respeito pelas pessoas e pelo bem coletivo.
2 – Quais pesquisas a senhora está desenvolvendo agora?
No momento, desenvolvo pesquisa voltadas para a Biofertilização, ou seja, produção de biofertilizantes orgânicos à base de esterco de galinha, caprino, bovino e cinza de carvão vegetal em culturas como morango, girassol, alho, feijão e etc., na região do Maciço de Baturité. Outra pesquisa que estamos desenvolvendo no momento é a utilização de tecnologias alternativas na agricultura. Neste projeto estamos utilizando o bambu como condução de água em sistemas de hidroponia.
3 – Como se deu a construção da sua carreira científica em um meio (academia) que não está imune ao machismo da sociedade?
A decisão pela escolha da carreira de professora e pesquisadora na área de Engenharia Agrícola ocorreu pela afinidade com as disciplinas voltadas para a área de ciências exatas. E como nasci e cresci na área rural, sempre me preocupei com as questões da terra. Assim, tanto na graduação quanto no mestrado e no doutorado, sempre tive que ter foco e persistência para superar as dificuldades.
4 – A senhora vivenciou um presenciou algum caso de machismo durante sua carreira?
Muitos, principalmente por ser mulher e nordestina.
5 – Qual mensagem a senhora gostaria de deixar para as meninas e jovens que possuem interesse ou já iniciaram uma carreira no mundo da Ciência?
A mensagem que deixo é que hoje as novas gerações têm mais oportunidade de estudar e desenvolver o conhecimento cientifico para se tornarem cientistas e formadoras de opinião, com a responsabilidade de que a ciência deva estar a serviço da humanidade. Mas para isso é preciso ter foco, determinação, perseverança, e humildade.