Fóssil inédito de 120 milhões de anos encontrado na Bacia do Araripe será anunciado nesta quarta-feira durante coletiva de imprensa
20 de janeiro de 2015 - 14:31
Achado raro de fóssil na Bacia do Araripe e com características de conservação surpreendentes é encontrado e revela origem de planta na Chapada do Araripe
Um achado fóssil inédito de 120 milhões de anos será anunciado nesta quarta-feira (21) por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca) durante coletiva de imprensa, às 9h, no auditório da sede do Geopark Araripe, em Crato. Trata-se de uma planta do Cretáceo inferior que ainda possui representantes atuais na encosta da Chapada do Araripe, conhecida popularmente como Japecanga, da família da Smilacaceae.
Um artigo sobre a descrição do fóssil foi publicado recentemente nos anais da Academia Brasileira de Ciências para anunciar a descoberta do achado, cujo nome dado é uma homenagem ao Professor Jackson Antero (in Memoriam): “Cratosmilax Jacksoni“. O docente foi um dos grandes nomes que se ergueu no Cariri na luta incansável pela preservação da Chapara do Araripe, e chegou a ser o chefe da Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe (APA – Araripe).
A Smilacaceae é uma família de plantas monocotiledôneas basais que ocorrem em basicamente todos os continentes e está relacionada com a origem de plantas com flores. Fósseis dessa família são conhecidos desde o Cretáceo Superior. No artigo é apresentado o novo gênero e espécie (Cratosmilax jacksoni) da família do Cretáceo Inferior (Aptiano-Albiano), encontrado em lâminas de calcário da Formação Crato, na Bacia do Araripe.
Ainda conforme os pesquisadores, é o mais antigo registro de Smilacaceae. O fóssil descrito é baseado em uma folha com características semelhantes às do gênero Smilax, frequente nas Américas, Europa e sudeste asiático.
Segundo o orientador da pesquisa, professor Álamo Feitosa, o fóssil de uma folha em perfeito estado da Japecanga, planta conhecida popularmente, foi resgatado nas minas de calcário laminado em Nova Olinda. O achado ocorreu em 2012. O trabalho de descrição foi realizado por uma equipe de pesquisadores da Urca, e tem como autora a professora doutora Flaviana Jorge de Lima. Ela destaca que essa é a primeira pesquisa a ser descrita com localidade estratigráfica, possibilitando estudos detalhados das camadas das rochas.
A pesquisa contou com o apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Instituto Nacional de Paleontologia e Arqueologia do Semiárido (INAPAS).
Apoio da Funcap
O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva coordenou o projeto “Análise quanti-qualitativa de fósseis nos resíduos de descate das minas de gipsita do município de Santana do Cariri”, aprovado no edital nº 05/2012 – Programa de Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Estímulo à Interiorização (BPI) da Funcap.
Com o objetivo de promover a atração e fixação de pesquisadores doutores produtivos para atuação em Instituições de Ensino Superior e Pesquisa localizadas no interior do Ceará, o edital foi lançado em julho de 2012 e recebeu 183 propostas, oriundas de dez entidades, sendo aprovadas 63 propostas.
Com informações da Assessoria de Comunicação da Urca