Segunda dia do IV Seminário de Pesquisa para o SUS contou com mais 17 apresentações

8 de dezembro de 2014 - 14:42

Na última quarta-feira (3), foi realizado o segundo e último dia do IV Seminário de Pesquisa para o SUS: PPSUS Acompanhamento e Avaliação Final. Na ocasião, 17 pesquisadores apresentaram os resultados das pesquisas apoiadas por meio da Chamada 03/2012 – Pesquisa para o SUS: gestão compartilhada em Saúde PPSUS-REDE–MS/CNPq/FUNCAP/SESA. 

O evento foi realizado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), Ministério da Saúde e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). As pesquisas foram apresentadas no Auditório da Sesa, localizado na Avenida Almirante Barroso, nº 600, bairro Praia de Iracema, em Fortaleza (CE).

Professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Viriato Capelo foi um dos pareceristas presente nos dois dias do seminário. Para ele, os trabalhos apresentados apresentam uma contribuição fundamental para o desenvolvimento do SUS. A amplitude dos projetos apresentados, englobadas em 17 linhas de pesquisas, chamou a atenção do professor da UFPI, avaliador dos projetos pela quarta vez.

“Então, espero que toda essa produção científica tenha um destino adequado, não fique aí apenas abrilhantando as bibliotecas. Acho que tem que sair das prateleiras e chegar até às pessoas que são usuárias do SUS, que são para quem nós pesquisadores trabalhamos”, destacou Viriato.

Elizabeth Eriko Ishida, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), além de participar do seminário para avaliar os projetos, esteve presente durante a fase de seleção das pesquisas. “Tem vários projetos que eu participei da seleção também. E agora eu estou vendo resultado. Vários, não estou analisando os meus, mas eu vejo como a gente acerta. Porque é difícil você selecionar os projetos. Porque os pesquisadores são muitos bons, as pesquisas são boas. E quando você vê o que você escolheu e você vê os resultados, eu acho que você pensa que fez alguma coisa um pouco certa. Porque avaliar é uma coisa muito difícil”, afirma.

A parecerista elogiou a organização do evento e a qualidade das pesquisas apresentadas durante os dois dias do seminário. “Eu vejo sempre que os trabalhos acadêmicos são bem modernos. Então, como já participei de dois seminários de avaliação e dois seminários para escolher os projetos, eu vejo que cada vez o número de projetos submetidos é maior. São projetos complexos, são projetos grandes. Acho que o estado tem pesquisadores muito bons, que já tem uma linha de pesquisa definida. E são projetos que vão levar vários anos ainda”, destacou.

Lívia Correia Fernandes Paes, estudante do curso de Farmácia da UFC, participou como bolsista de Iniciação Científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no projeto “Estudo do potencial terapêutico do veneno e de toxinas bloqueadoras de canais de iônicos isoladas da dinoponera quadríceps sobre modelos de convulsão”, da professora Alice Maria Costa Martins, da UFC.

Para a graduanda, o seminário é importante por permitir uma visualização das áreas pesquisadas por grupos de diferentes universidades e por mostrar o desenvolvimento das pesquisas financiadas. De acordo com a Lívia, a participação no projeto como bolsista permitiu uma vivência na área da pesquisa científica. “Já que quando você entra na graduação você não trabalha muito essa parte de pesquisa. Então, fazer parte de um projeto de pesquisa acaba lhe mostrando como que é esse mundo científico”, destaca.

professor_luciano2_pLuciano Pamplona de Góes Cavalcanti, professor do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), apresentou os resultados parciais do projeto “Abordagem integrada de vigilância e controla da dengue, com foco na redução da letalidade pelas formas graves da doença”. Para o pesquisador, é fundamental que as pesquisas feitas para responder às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam apresentadas à Sesa, “órgão que vai poder usar esse resultado em benefício da saúde da população”, complementa.

“Então, o objetivo desse seminário, na nossa compreensão de pesquisador, é voltar pro local que financiou e mostrar o resultado. ‘Olha, nós temos agora esse dado e é importante que vocês possam dispor dessa informação para modificar as políticas públicas baseando-se em evidências pra melhorar as condições de saúde da população’”, afirma Luciano.

O professor explicou que as três classificações da doença no mundo até 2013 eram dengue clássica, dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue. “Existiam várias limitações no mundo todo, importantes, mostrando que essa classificação não era suficiente para captar todos os casos. Então as pessoas morriam de dengue, mas não confirmavam os critérios e esses casos eram descartados, mesmo a gente sabendo que era dengue”, explica.

A nova classificação adotada pela Organização Mundial de Saúde, avaliada no Ceará no projeto do pesquisador, apresenta três tipos: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave. “Então, aí sim a gente conseguiu aumentar a sensibilidade e captar mais casos. E essa classificação dá mais chances ao profissional de saúde de detectar precocemente a gravidade da doença e intervir de forma mais adequada, aumentando a chance de salvar os pacientes mais graves” aponta.

professor_luciano3_pDe acordo com o pesquisador, foi possível mostrar na pesquisa que a alta taxa de letalidade da dengue no Ceará é resultado de um Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) bem estruturado e, principalmente, articulado com a vigilância epidemiológica e o Laboratório Central de Saúde Pública, que foram capazes de captar a real causa de óbito de pacientes que passaram por avaliação, mas não tiveram a dengue como hipótese para o falecimento. A pesquisa mostrou que mais de 80% dos óbitos são captados pelo SVO. “Então, aqueles locais que não têm SVO captam, provavelmente, 20% dos óbitos. E a gente passa uma falsa impressão de que aqui morre muito mais. Na verdade, a gente capta mais óbitos do que os outros locais que não têm uma estrutura organizada de SVO, articulada com a Vigilância e com o Laboratório, que são fundamentais nesse processo”, explica.

“Após a realização do Seminário os resultados das pesquisas são divulgados e publicados em coletânea. A distribuição e divulgação da Coletânea Pesquisa para o SUS é realizada pelo NUCIT através do envio de exemplares para as 42 bibliotecas da Secretaria da Saúde e para os eventos temáticos realizados. Além da maior visibilidade aos projetos desenvolvidos a coletânea visa à disseminação da informação em saúde e o retorno aos usuários do Sistema Único de Saúde das pesquisas financiadas”, destaca Maria do Carmo Aires Ribeiro, historiadora do Núcleo de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (NUCIT) da Sesa.

No total, os projetos aprovados na Chamada 03/2012 receberam R$ 4.652.071,21. O objetivo da chamada foi apoiar a execução de projetos de pesquisa que promovam a formação e a melhoria da qualidade de atenção à saúde no Ceará no contexto do SUS, representando significativa contribuição para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde e para a implantação das redes de atenção à saúde no estado.

A chamada contemplou 17 linhas de pesquisa dentro dos temas “Regionalização, Redes e Planejamento”; “Assistência”; “Recursos Humanos”; “Monitoramento e Avaliação”; “Financiamento”; “Endemias e Zoonoses”; “Economia da Saúde”; “Desenvolvimento e Avaliação de Farmoquímicos e Medicamentos”; “Hipertensão arterial, Diabetes mellitus e Obesidade” e “Neoplasias”.