Empresas selecionadas pelo Tecnova-CE assinam contratos que somam R$ 13,5mi
8 de dezembro de 2014 - 17:40
“Inovação implica mudança de cultura. Ela é a única saída para o desenvolvimento econômico, sustentável e includente no Ceará”. A declaração é do secretário da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), René Barreira, durante a assinatura de contratos das empresas com projetos aprovados pelo Programa de Apoio à Inovação Tecnológica em Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Tecnova-CE). A solenidade foi realizada no auditório da Secitece, na manhã da última sexta-feira (5).
No total, os contratos somam R$ 13,5 milhões, na modalidade de subvenção econômica. Os recursos são do Governo do Estado e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), responsáveis pelo programa Tecnova-CE. “O fortalecimento de um sistema de ciência, tecnologia e inovação, nos âmbito nacional ou estadual, não tem um fim em si próprio, ele é um instrumento para promover a melhoria da qualidade de vida do nosso povo”, afirmou René Barreira.
As empresas selecionadas atuam nos seguintes setores estratégicos: Agronegócio, Eletrometalmecânica e Materiais, Petróleo e Gás, Têxtil e Confecção, além de Couro e Calçado, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Biotecnologia.
“É um momento ímpar, quando estamos começando a aplicar os recursos para apoiar a inovação no Ceará”, afirmou o coordenador do Tecnova-CE, Francisco Carvalho. O Governo do Estado já garantiu um aporte voluntário de mais R$ 3,8mi para a convocação das empresas classificadas no programa.
“Mais importante ainda serão os resultados em dois anos, quando os projetos estiverem sendo concluídos. Os produtos e processos gerados serão importantes para o aumento da qualidade e da competitividade das empresas, além de garantir permanência e avanço no mercado”, destacou Francisco Carvalho.
De acordo com o chefe substituto do Departamento de Operações de Subvenção da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Richard Affonso Corrêa, no Brasil, 21 estados submeteram propostas e tiveram parceiros credenciados. “Então, o objetivo do Tecnova é esse, levar subvenção descentralizada para microempresas e empresas de pequeno porte ao máximo de estados possíveis do Brasil”, explicou.
A intenção da FINEP é fortalecer a economia dos estados por meio das empresas inovadoras. Segundo Richard, a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação permitem que todas as áreas da economia cresçam de uma forma sustentável. “Não é só sustentável com relação à ecologia, é sustentável do ponto de vista de segurança”, complementa.
Para o representante da FINEP, como retorno, espera-se um crescimento das empresas por meio da inovação, gerando postos de trabalho e riquezas para o Brasil. “Vão dar retorno através desses postos de trabalho, através do aumento do faturamento, que vai refletir no aumento da arrecadação. Nesse caso, especificamente, mais ainda no caso dos estados” afirmou.
“Desenvolvimento de unidade móvel para o abate e beneficiamento de tilápia” é o projeto da empresa PISCIS, de Jaguaribara, aprovado pelo Tecnova-CE. “No momento que a gente aprova o projeto, a gente entende que nosso papel, da empresa, foi reconhecido pelos avaliadores. E isso também nos satisfaz muito, porque é uma aposta do Governo na idéia que nós estamos tendo”, analisa André Siqueira, um dos sócios da PISCIS.
De acordo com André Siqueira, a produção de tilápia no Castanhão não está estruturada na sua cadeia produtiva como um todo e não há um local adequado para se abater os peixes, com muitos produtores abatendo os peixes nas margens do açude. “Pensando nessa situação, nós propusemos um projeto para desenvolver uma unidade móvel de abate de peixe, que possa atender às exigências ambientais e sanitárias. Ou seja, o peixe passando por aquele ambiente vai estar adequado e licenciado para o consumo humano. E, ao mesmo tempo, como a nossa empresa é de resíduos, nós vamos recolher aquele resíduo e garantir matéria-prima pra nossa empresa”, explica André.
O incentivo governamental contribuirá para a consolidação do ambiente de inovação do Ceará. O projeto “Novo processo de purificação para escala comercial de interferon Alpha 2a utilizando sistema vegetal como biorreator”, da Greenbean Biotechnology, também foi um dos aprovados pelo Tecnova-CE. “Nosso principal objetivo é desenvolver a tecnologia para purificação de proteínas, principalmente levando em conta o interferon, que é um medicamento que vai ser usado por pessoas com doenças como AIDS. E o intuito disso é o de conseguir diminuir o preço e fazer esses medicamentos ficarem mais acessíveis pra essas pessoas”, informa Eridan Pereira, sócio e pesquisador.
O Tecnova-CE é coordenado pelo Governo do Estado, através da Secitece, e conta com o apoio da Fundação de Apoio a Serviços, Ensino e Fomento a Pesquisas (Fundação Astef), da Rede de Incubadoras do Ceará (RIC) e da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a FINEP são os responsáveis nacionais pelo programa. “O desafio que foi colocado pela FINEP só foi possível de ser superado graças aos consórcios com instituições comprometidas com a inovação”, destacou René Barreira, secretário da Secitece.