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Pesquisa apoiada pela Funcap discute interesse pela religiosidade nos dias atuais PDF Imprimir E-mail
Qua, 16 de Maio de 2018 08:22

Com o crescente aumento da participação de temas ligados a religião (ou a religiosidade) em debates da esfera pública, tem ficado cada vez mais evidente a necessidade de estudos que compreendam este fenômeno. Esta foi uma das principais motivações do estudo “O fenômeno do retorno da religião: reflexões modernas e pós-modernas sobre o discurso religioso”, que está sendo conduzido pelo professor Antonio Glaudenir Brasil, do Grupo de Pesquisa Filosofia da Religião (Gephir), da Universidade do Vale do Acaraú (UVA), em Sobral.  

Entre os objetivos do trabalho, podem ser citados os seguintes: investigar as visões da crítica moderna e da crítica pós-moderna sobre o fenômeno, estabelecer parcerias com outros centros de pesquisa para a realização de eventos, publicação de material para contribuir com o debate sobre o fenômeno religioso e consolidar o núcleo de pesquisa “Filosofia da Religião”, desenvolvendo competência e tornando-o uma referência no contexto regional e nacional. A iniciativa conta com o apoio da Funcap através do Programa de Bolsas de Produtividade em Pesquisa, Estímulo à Interiorização e à Inovação Tecnológica (BPI). 

De acordo com Glaudenir, o projeto procura trabalhar, através das reflexões do filósofo italiano Gianni Vattimo, o retorno das questões da fé e da religiosidade sem um enfoque institucional, promovendo o tema da forma mais ampla possível e desassociando-o de uma vertente religiosa específica. “A intenção fundamental do projeto é evidenciar que as razões fortes do discurso que pretende cancelar o religioso foram desconstruídas e isso também vale para o próprio discurso religioso: não existem razões para afirmar uma determinada religião sobre outras, mas na tentativa de pensar a ausência dessas razões ampliamos o horizonte de reconhecimento da diversidade religiosa que transcende a própria religião”, afirma o professor. 

A retomada do discurso religioso nos dias atuais, avalia ele, se faz a partir de uma compreensão mais plural da religião, não mais centralizada em um discurso institucional – ainda que a tendência radical e extremista de alguns grupos religiosos se faça valer, atualmente. “O debate entre a proposta moderna e a proposta pós-moderna impõe questões irrenunciáveis, já que sempre atuais, pois enquanto a religião exercer influência sobre a vida humana, estas questões permanecerão postas”, acrescenta Glaudenir. 

A expectativa do grupo é obter, com o estudo, a consolidação de uma linha de pesquisa de Filosofia da religião que seja referência em todo o Brasil. Glaudenir ressalta ainda que o estudo está em andamento, mas ele afirma que já foi possível evidenciar a relevância do tema no cenário brasileiro, pela produção considerável de trabalhos de pós-graduação, artigos e livros. Além disso, este estudo permitiu obter as seguintes conclusões:  

- o interesse pela religião e sua presença na esfera pública implica em perceber os limites de sua interferência na política, na produção científica e evidencia seu papel na sociedade secularizada; 

- a perspectiva moderna de cancelar o espaço do religioso (“fim da religião”) não se efetivou, pois é possível observar a presença da religião na vida social em suas múltiplas instituições, credos e manifestações; 

- o cenário da experiência da religião deve ser pensado a partir das possibilidades abertas pelo anúncio da “morte de Deus” em meio ao pluralismo da sociedade que assegura que a questão do sagrado, da religião e do problema da secularização que acompanha ainda reflete um dos pontos de tensão de tal debate; 

- a crítica filosófica da religião não significa a negação do estatuto epistêmico (a importância do tema enquanto área de conhecimento científico) e o papel da religião em nossa sociedade; 

- o fenômeno do retorno do religioso não está apenas associado às condições de existência na sociedade globalizada, também pode ser percebido na própria esfera do pensamento em geral.  

O mais recente dos eventos realizados pelo grupo foi o Colóquio Filosofia da Religião, que em sua 5ª edição possibilitou a participação massiva da comunidade acadêmica nos debates. Os temas discutidos no evento foram os seguintes: “A religião na sociedade plural”; “O problema de Deus: um debate entre analíticos e continentais”; “Razão filosófica e fé: pontos e contraposto”; “Filosofia, religião e secularização” e “Ciência e religião”. 

Tema surgiu a partir da contestação dos valores da Modernidade

De acordo com Glaudenir, o cenário moderno foi o período onde se solidificaram os ideais clássicos da sociedade ocidental e surgiu como uma ruptura, um culto ao novo. Este cenário trouxe mudanças em aspectos estéticos (como o Modernismo nas artes), mudanças socioeconômicas (a revolução industrial) e mudanças culturais e ideológicas, com o protagonismo do pensamento iluminista que valorizou o homem, a razão e a liberdade. 

Em relação à religiosidade, ponto central do estudo, a perspectiva moderna nega que o sentido da vida esteja em razões metafísicas, o que por muito tempo fortaleceu seus pressupostos que cancelavam o espaço do religioso. Com o enfraquecimento de alguns paradigmas do pensamento moderno, que antes eram considerados definitivos mas se mostraram condicionados por fatores sociais, políticos e ideológicos, dentre outros, houve a dissolução das formas totalizantes e universalistas de pensar. 

Isto deu início à ruptura do período Moderno e iniciou a transição para o Pós-Modernismo, quando muitos dos saberes e ideais modernos entraram em crise. Foi possível, então, perceber quais as dimensões da razão que haviam sido supervalorizadas em detrimento de outras. Foi nesse contexto em que surgiu a retomada do interesse filosófico pelo fenômeno religioso. 

Na perspectiva do filósofo italiano Gianni Vattimo, um dos suportes teóricos da pesquisa conduzida pelo professor Glaudenir, o interesse pela religiosidade vem sendo motivado pelo surgimento de novas crises enfrentadas pelo homem, como o risco de uma guerra nuclear, as ameaças ao meio ambiente, a manipulação genética e o consumismo, dentre outras questões recentes. Retomar a discussão em torno dessas questões se mostra uma forma de compreender melhor a humanidade diante do mundo atual.

 

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