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Chambá e cumaru no tratamento da asma: pesquisadores da UFC estudam propriedades medicinais de plantas da Caatinga PDF Imprimir E-mail
Seg, 03 de Julho de 2017 08:50

Por Nerice Carioca

 

O Brasil é um país de proporções continentais que abriga diversos biomas. Além disso, possui a maior biodiversidade da Terra, o que justifica a enorme riqueza da sua flora e da sua fauna - que compreendem cerca de 20% da espécies do planeta. Um dos biomas encontrados no País é a Caatinga, presente no Ceará e que apresenta uma grande variedade de ambientes e espécies que não são encontrados em nenhum outro lugar. E entre os diversos tipos de plantas deste ecossistema, muitos são utilizados pela população para fins medicinais.


O imenso potencial da flora brasileira para uso em tratamentos contra vários tipos de doenças tem despertado cada vez mais o interesse da população. Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2013 e 2015 a procura por alternativas à base de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos (obtidos a partir deste tipo de planta) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) teve um crescimento de 161%. O fenômeno também é registrado na universidade, onde um número crescente de pesquisadores estuda estes recursos.

Um exemplo de pesquisa nascida a partir deste interesse é o trabalho coordenado pela professora Kalyne Leal, do Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Ceará (UFC), que busca desenvolver matérias-primas e medicamentos à base das plantas medicinais Amburana cearenses (cumaru) e Justicia pectoralis (chambá). O estudo visa a aplicação no tratamento da asma leve a moderada. O trabalho conta com o apoio da Funcap através de bolsas de pesquisa e apoio técnico para o desenvolvimento do estudo e recursos financeiros que têm viabilizado a compra de equipamentos e materiais de consumo.

O chambá e o cumaru já são utilizados popularmente, na forma de chá ou lambedor, no tratamento de asma, tosse, febre, dor e bronquite. O projeto de pesquisa coordenado pela professora tem o objetivo de inovar e agregar mais tecnologia na produção de medicamentos que tenham como base essas duas plantas. Os estudos buscam o desenvolvimento de insumos farmacêuticos e fitoterápicos padronizados, produzidos com controle de qualidade, avaliação de segurança e eficácia pré-clínica.

A asma é uma doença crônica que atinge cerca de 10 milhões pessoas em todo o Brasil e é uma das principais causas de internamentos no SUS, segundo o Ministério da Saúde. Kalyne ressalta que a meta do estudo é oferecer para a população mais uma opção de medicamento para auxiliar o tratamento da asma leve a moderada “apresentando vantagens em relação à farmacoterapia atual da doença, especialmente as relacionadas  à incidência de efeitos colaterais”.

A professora afirma que a partir de um extrato vegetal padronizado com propriedades farmacológicas e segurança comprovada (pré-clínica e clínica), podem ser formulados medicamentos como cápsulas, comprimidos, xaropes e cremes. Ela destaca que um dos benefícios do trabalho é que a produção de remédios a partir de matéria-prima da flora local irá gerar oportunidades e contribuir para a economia do Ceará.

 

 

 

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