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Pesquisadores estudam propriedades cicatrizantes de vegetais da flora brasileira PDF Imprimir E-mail
Seg, 05 de Junho de 2017 11:20

Um grande número de pessoas portadoras de doenças como diabetes Mellitus, hanseníase e alcoolismo apresentam alterações na integridade da pele, o que constitui um sério problema de saúde pública. Os indivíduos acometidos por essas moléstias apresentam um processo de cicatrização mais difícil e prolongado, desenvolvendo as chamadas feridas crônicas.

Com o objetivo de propor uma alternativa de tratamento mais eficaz e acessível para esses e outros casos, pesquisadores do Núcleo de Biologia Experimental (Nubex), da Universidade de Fortaleza (Unifor), iniciaram projeto para desenvolver um gel à base de macromoléculas extraídas de sementes de fruta-pão (Artocapus incisa) e flor-de-pavão (Caesalpinia pulcherrima), que possuem ação cicatrizante. O projeto conta com o apoio da Funcap através do edital PPSUS.
Segundo a coordenadora do projeto, professora Cristina Moreira, a pesquisa visa o desenvolvimento de novas e mais eficazes formulações para o tratamento de feridas crônicas a partir de biomoléculas isoladas de sementes da fruta-pão e da flor-de-pavão. Esta combinação, segundo ela, torna o processo de cicatrização mais eficiente: testes feitos em camundongos comprovaram essa melhora no processo até o 7° dia, após o tratamento.  A escolha dos dois vegetais para a pesquisa se deu por algumas vantagens que ambos trazem. “Trabalhamos há mais de 20 anos com uma proteína extraída de sementes de fruta-pão, que apresenta várias atividades biológicas importantes”, explica Cristina Moreira.

Já a flor-de-pavão, de acordo com ela, é uma planta que produz sementes apenas seis meses após o plantio, o que a torna uma fonte promissora para viabilizar a produção do gel. Os compostos extraídos das sementes são a lectina, uma proteína ligante quimicamente a carboidratos, e a galactomanana, hemicelulose abundante nas paredes celulares de plantas. Hemiceluloses, vale ressaltar, são polissacarídeos (carboidratos) que desempenham um papel estrutural. A lectina isolada no estudo possui propriedades anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica e imunoestimulante, entre outras. Por meio da interação entre as duas moléculas, a cicatrização pode ser potencializada. 

Como parte do trabalho, um dos membros da equipe, o aluno de doutorado Felipe Domingos realizou, em pesquisas no University College London (UCL), na Inglaterra, testes em fibroblastos (células responsáveis pela regeneração dos tecidos que compõem o corpo humano). Os resultados obtidos demonstraram que a lectina favorece o processo de cicatrização.  

Segundo Cristina Moreira, a equipe tem como meta finalizar o plano de negócios para viabilizar a produção e a comercialização do medicamento no segundo semestre deste ano. Ela explica que ainda não é possível estimar o preço ou a diferença de custo do futuro medicamento em relação às alternativas já disponíveis atualmente, mas o propósito é que ele seja vantajoso neste quesito. “As formulações foram desenvolvidas visando uma melhor relação custo/benefício e o fácil acesso à população, quando comparadas aos produtos já comercializados”, afirma ela.

Última atualização em Seg, 05 de Junho de 2017 14:34
 

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