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Relação entre africanidade e a cultura romeira no Cariri é tema de pesquisa na Universidade Regional do Cariri PDF Imprimir E-mail
Qui, 16 de Março de 2017 10:33

Apesar de ainda sofrerem muito preconceito, as religiões e ritos de origem africana estão incorporados na cultura brasileira desde o período colonial. Esses hábitos e tradições, que englobam todas as dimensões da vida cultural, política, intelectual e social, estão entre os marcos fundadores do que é hoje o Brasil.  O país tem o maior contingente de pessoas negras fora da África e uma população de 53,6% de afro-brasileiros, segundo dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2014).

Dentro desse contexto, a professora Maria Telvira da Conceição, do Departamento de História da Universidade Regional do Cariri (URCA), coordena um projeto que visa estudar a presença dos afro-brasileiros e a influência de seus universos e tradições nas práticas e  nos ritos religiosos dos romeiros devotos do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. A  pesquisa aborda uma pauta emergente no cenário político brasileiro, a problemática racial. 

Intitulado de “A COR DA DEVOÇÃO: africanidade e religiosidade na cultura romeira no Cariri contemporâneo”, o projeto conta com o apoio da Funcap e surgiu a partir das demandas levantadas pela lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, além das reivindicações históricas apresentadas pelos afro-brasileiros.

De acordo com a pesquisadora, a devoção romeira no Cariri e o universo afro-brasileiro são objeto de análise de teses e dissertações, mas a junção das duas temáticas é inédita. Maria Telvira classifica o estudo como provocante e desafiador, “porque não há, até então, nenhuma pesquisa tratando da problemática racial no contexto das práticas de romaria no Cariri cearense, em particular em Juazeiro do Norte”, comenta.

A pesquisa terá duração de dois anos e encontra-se na segunda de quatro fases. A primeira etapa, segundo Maria Telvira, consistiu em uma “consulta nos arquivos locais para coleta de fontes escritas e visuais alusivas às atividades de romaria no recorte temporal abrangido pela pesquisa, com foco no período contemporâneo”. A segunda etapa tem o objetivo de fazer um levantamento de dados sobre a problemática da identidade étnico-racial dos romeiros que frequentam Juazeiro do Norte por ocasião das celebrações que compõem o ciclo anual das romarias em devoção ao Padre Cícero.

A análise busca traçar um perfil sócio-racial dos romeiros através da aplicação de questionários e entrevistas. Um total de 681 pessoas foram ouvidas até o momento, e já é possível apresentar dados importantes sobre auto-reconhecimento racial e perfil socioeconômico dos romeiros. Cerca de 55% dos entrevistados se declaram pardos/morenos e 20% como pretos. 

Segundo a pesquisadora, “esse trânsito religioso no que se refere às religiões de matriz africana em contextos majoritariamente cristãos, como é o caso da tradição devocional ao Padre Cícero em Juazeiro do Norte, constitui um recanto oculto”. Desta forma, 50% dos ouvidos afirmam proceder de uma família de tradição católica. Já 48% declaram que a família é ou já foi ligada a outros credos e expressões religiosas, mas destes apenas 2% alegam ser ou ter vínculos com religiões de matriz africana, sendo a umbanda e o candomblé as religiões citadas.

No que diz respeito às questões sócio-culturais, 43% dos entrevistados cursaram somente até o Ensino Fundamental 1. Quanto à profissão, 25% são aposentados e 13% agricultores, “com renda familiar de até um salário mínimo para 52% e de até 2 salários mínimos, para 24%”, como comenta a pesquisadora. O questionário também revelou que, majoritariamente, os romeiros têm entre de 40 a 69 anos, sendo em sua maior parte mulheres, 55%. Além disso, 52% dos romeiros residem em zona urbana e 26% na zona rural do nordeste.

O período final do estudo, composto pela terceira e quarta fases, contará com “entrevistas mais aprofundadas com romeiros já identificados na etapa em execução”, o que possibilitará a apresentação de provas mais concretas sobre as práticas oriundas de religiões de matriz africana encontradas na cultura romeira.

Última atualização em Qui, 16 de Março de 2017 13:37
 

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