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Empresa desenvolve plataforma de gestão de resíduos sólidos PDF Imprimir E-mail
Qua, 01 de Fevereiro de 2017 14:58

De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, publicado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), o país gerou, em 2015, aproximadamente 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos. Desse total, cerca de 30 milhões tiveram destinação inadequada, indo para lixões ou aterros. Há um imenso potencial a ser explorado, tanto na área de reaproveitamento dos resíduos quanto na redução dos custos operacionais das empresas e instituições que atuam na cadeia conhecida como logística reversa, que trata do retorno dos materiais descartados para a reciclagem industrial. 

De olho neste mercado, a empresa cearense Informatique desenvolveu um projeto acadêmico com foco na gestão da logística reversa. Este processo registra as movimentações dos resíduos tanto para as empresas de reciclagem quanto para os aterros sanitários, isto é, faz um mapeamento para detectar se os resíduos estão sendo realmente descartados nos locais credenciados. A iniciativa, que está registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com o nome Sistema Seletiva, contou com o apoio da Funcap através do edital Pappe/Integração. 

Iniciado a partir da dissertação de mestrado do pesquisador Sérgio Clério, que é proprietário da empresa, o projeto “Solução Web para Logística Reversa do Lixo Eletroeletrônico baseada na Computação em Nuvem e integrada às Redes Sociais” começou abordando apenas o chamado e-lixo, que é resultado do descarte de equipamentos como celulares e computadores, e hoje já foi expandido para todos os tipos de materiais. 

A proposta da solução é integrar, através do controle de uma base única de dados, os principais agentes da cadeia de logística reversa: consumidores residenciais e industriais, empresas e cooperativas de coleta de resíduos, ecopontos, indústrias de reciclagem e órgãos públicos (responsáveis pelas políticas públicas e pela fiscalização). O acesso ao sistema pode se dar através de computadores ou dispositivos móveis que possuam acesso a internet e está integrado com aplicativos (App´s) para registro do descarte e fiscalização por parte das prefeituras. 

“Nossa solução une quem quer descartar e precisa comprovar que os resíduos tiveram a destinação correta, quem precisa coletar e fazer a triagem e quem precisa fiscalizar ou gerenciar estas movimentações. É um modelo de gestão das informações na área de resíduos”, explica Sérgio. Ele destaca que as funcionalidades do sistema são inúmeras. Os fabricantes poderiam, por exemplo, saber o que leva os consumidores a descartar seus produtos, avaliando parâmetros como obsolescência, defeitos ou avarias. 

O rastreamento em tempo real dos veículos que fazem o transporte dos resíduos, outro dado disponível no sistema, pode ser útil tanto para cooperativas de coleta quanto para os órgãos de fiscalização. Estes últimos podem, por exemplo, conferir se o destino dado ao resíduo/lixo foi feito de acordo com o que exige a legislação. Já as cooperativas e empresas de coleta têm como saber se houve algum desvio de rota, evitando perdas. “Além disso, hoje algumas delas têm grandes estruturas que ficam ociosas, por falta de material para processar. Através da nossa solução, elas têm como minimizar este problema”, afirma Sérgio. 

O pesquisador ressalta que a solução começa a funcionar em um momento de crescente demanda, principalmente por parte dos grandes geradores de resíduos e lixo que precisam atender as exigências da lei federal nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela estabelece medidas como o fim dos lixões e o descarte adequado de todo o material produzido no País. 

Empresa quer expandir o sistema
Com um ano de funcionamento, a solução já registrou a movimentação de quase 500 toneladas de resíduos em Fortaleza apenas com o acompanhamento de três cooperativas de catadores. Mas há muito a crescer. “São 19 associações operando na cidade, atualmente. Além disso, há os Ecopontos, locais de recebimento de resíduos mantidos pela Prefeitura de Fortaleza”, lembra Sérgio. 

Para envolver mais agentes, a empresa estuda formas de estímulo à participação através das funcionalidades do sistema. Para os consumidores residenciais, a meta é fazer convênios com empresas que oferecem bonificações, como programas de milhagem ou fidelização, para que o resíduo descartado se converta em bônus. Já em relação ao setor industrial, o objetivo é reduzir custos operacionais através da melhoria de gestão do processo de descarte. 

O momento, agora, é de busca de parceiros e de divulgação do sistema. Sérgio acredita que a solução inovadora tem muito a contribuir para reduzir o problema de descarte inadequado de resíduos – um problema que se agrava a cada ano, com o crescimento do consumo. “Sem coleta seletiva, a necessidade de construção de novos aterros é antecipada, e a má gestão dos resíduos afeta diretamente a qualidade da água e pode potencializar a infestação do mosquito transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya”, conclui o pesquisador.

Última atualização em Qua, 01 de Fevereiro de 2017 15:34
 

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