Assembléia discute a criação de Instituto de Química Verde e de Biocombustíveis
Da Agência Funcap, com informações do site WWVerde
A Assembléia Legislativa realizou, na semana passada, uma audiência para discutir a criação do Instituto de Química Verde e de Biocombustíveis no Nordeste. A iniciativa partiu da Comissão de Ciência e Tecnologia da AL e contou com representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), da Petrobras e da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Segundo o deputado Roberto Cláudio (PHS), presidente da comissão, a audiência serviu para aprimorar a discussão sobre a criação do instituto, que deve contar com a colaboração de cientistas de toda a região. “A idéia surgiu a partir de um grupo de pesquisadores do Ceará e de outros estados do Nordeste com base em modelos de cooperação científica interestadual”, afirma. Ele ressalta, no entanto, que ainda se trata de uma discussão inicial e não há previsão para o início ou o local de funcionamento do instituto.
A Química Verde (Green Chemistry) tem por base 12 princípios (veja o quadro abaixo) e consiste na utilização de técnicas que reduzem ou eliminam o uso de solventes, reagentes ou a geração de produtos e subprodutos nocivos à saúde humana e ao meio ambiente. Outra aplicação é a síntese de polímeros e sua utilização na produção de materiais “ambientalmente amigáveis” (feitos, por exemplo, a partir de materiais biodegradáveis). De acordo com o deputado, o principal objetivo da prática é relacionar os estudos da Química a uma perspectiva de desenvolvimento ambientalmente sustentável.
Para ele, o Brasil tem muito potencial de investimento nessa área devido aos trabalhos desenvolvidos com oleaginosas, como a mamona e o girassol, para a produção de biocombustíveis, entre outros produtos. Roberto Cláudio também destaca estudos envolvendo a utilização de algas marinhas que absorvem CO2 em siderúrgicas com plantas movidas a carvão (caso da Companhia Siderúrgica do Pecém).
O termo “Química Verde” foi criado há mais de dez anos pela EPA (Environmental Protection Agency), a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, em colaboração com a American Chemical Society (ACS) e o Green Chemistry Institute. A iniciativa despertou o interesse de organizações governamentais e não-governamentais de vários países.
Europa, Japão e Estados Unidos também criaram prêmios de incentivo a pesquisadores de indústrias e de universidades para o desenvolvimento de tecnologias que empreguem os princípios da química verde. Nos Estados Unidos, desde 1996, quando foi criado o Presidential Green Chemistry Awards, mais de dez corporações e pesquisadores foram premiados.
Em 2001, a Royal Society of Chemistry (RSC), apoiada por setores industriais e governamentais, instituiu o U.K. Green Chemistry Awards para premiar empresas e jovens pesquisadores que desenvolvem processos químicos, produtos ou serviços que levem a um ambiente mais sustentável, limpo e saudável. A RSC também criou a Green Chemistry Network, cujo objetivo é promover a conscientização e facilitar a educação, o treinamento e a prática da química sustentável em indústrias, ambientes acadêmicos e escolas. Além disso, a Royal Society of Chemistry também foi responsável pela criação, em 1999, da revista Green Chemistry, destinada à publicação de artigos que contribuam de alguma forma para o desenvolvimento da química verde.
Os 12 princípios da Química Verde
(Extraídos do site WWVerde)
1. Prevenção.
É mais barato evitar a formação de resíduos tóxicos do que tratá-los depois que eles são produzidos;
2. Eficiência Atômica.
As metodologias sintéticas devem ser desenvolvidas de modo a incorporar o maior número possível de átomos dos reagentes no produto final;
3. Síntese Segura.
Deve-se desenvolver metodologias sintéticas que utilizam e geram substâncias com pouca ou nenhuma toxicidade à saúde humana e ao ambiente;
4. Desenvolvimento de Produtos Seguros.
Deve-se buscar o desenvolvimento de produtos que após realizarem a função desejada, não causem danos ao ambiente;
5. Uso de Solventes e Auxiliares Seguros.
A utilização de substâncias auxiliares como solventes, agentes de purificação e secantes precisa se evitada ao máximo; quando inevitável a sua utilização, estas substâncias devem ser inócuas ou facilmente reutilizadas;
6. Busca pela Eficiência de Energia.
Os impactos ambientais e econômicos causados pela geração da energia utilizada em um processo químico precisam ser considerados. É necessário o desenvolvimento de processos que ocorram à temperatura e pressão ambientes;
7. Uso de Fontes de Matéria-Prima Renováveis.
O uso de biomassa como matéria-prima deve ser priorizado no desenvolvimento de novas tecnologias e processos;
8. Evitar a Formação de Derivados.
Processos que envolvem intermediários com grupos bloqueadores, proteção/desproteção, ou qualquer modificação temporária da molécula por processos físicos e/ou químicos devem ser evitados;
9. Catálise.
O uso de catalisadores (tão seletivos quanto possível) deve ser escolhido em substituição aos reagentes estequiométricos;
10. Produtos Degradáveis.
Os produtos químicos precisam ser projetados para a biocompatibilidade. Após sua utilização não deve permanecer no ambiente, degradando-se em produtos inócuos;
11. Análise em Tempo Real para a Prevenção da Poluição.
O monitoramento e controle em tempo real, dentro do processo, deverá ser viabilizado. A possibilidade de formação de substâncias tóxicas deverá ser detectada antes de sua geração;
12. Química Segura para a Prevenção de Acidentes.
A escolha das substâncias, bem como sua utilização em um processo químico, devem procurar a minimização do risco de acidentes, como vazamentos, incêndios e explosões.



